Projeto de Banco de Dados – Parte IV

Após o modelo descritivo ou Análise de Requisitos, sobre os quais comentei nos últimos posts da série, chega a hora de fazer o modelo Conceitual.

O próprio nome já diz tudo, conceitual, ou seja, fazer um conceito daquilo que se deseja no banco de dados.

Neste modelo, na verdade não há algo de "tecnológico" embutido, a idéia aqui é que se transforme em um diagrama simples parte das informações obtidas no modelo descritivo ou na análise de requisitos. Quando digo "parte" das informações, é devido ao fato de que no modelo conceitual não há como representar as regras de negócio descobertas na fase anterior. Por exemplo, você não tem como representar no modelo conceitual uma regra que diz que o cliente deve ter mais que 40 anos. Esta regra deve ser guardada e será útil em uma outra fase do projeto.

O modelo conceitual, por ser um diagrama simples e que, para interpretá-lo não é necessário conhecer de informática, pode inclusive ser utiilzado em discussões com o cliente, para tentar obter alguma informação que tenha passado desapercebida.

Como falei anteriormente, a idéia é basicamente transformar em diagrama o que se obteve na fase anterior, mas para isso, precisamos entender quais elementos podemos utilizar no modelo conceitual.

Antes do diagrama em si, precisamos entender que estamos trabalhando com uma abordagem chamada Modelagem Entidade Relacionamento (MER) a qual utiliza uma ferramenta, os Diagramas Entidade Relacionamento (DER) para fazer a modelagem dos bancos de dados.
Sendo assim, nesses diagramas, temos dois "itens" principais, como o próprio nome diz, as Entidades e os Relacionamentos.

As Entidades podem ser pessoas, lugares ou até mesmo ações, que participam no ambiente do sistema. As Entidades sempre representam algo no plural, um conjunto, e não um caso em particular. Por exemplo, no sistema de um hospital, os médicoS seriam uma entidade. Com isso podemos concluir que as entidades sempre tem seu nome no plural.

Já os Relacionamentos representam a forma como as entidades se relacionam, como uma interage com a outra. Por exemplo, sabemos que os Médicos atendem os Pacientes. Se olharmos com atenção, veremos uma estrutura onde temos duas entidades (médicos e pacientes) e uma ação (atender). Basicamente os relacionamentos são ações (verbos) que acontecem entre duas ou mais entidades.

Para "completar" nossa estrutura do DER (não vou detalhar aqui todos os detalhes do modelo conceitual, pois levaria muito tempo), temos também os atributos, que são as informações que precisam ser armazenadas sobre as entidades. Então, na entidade médicos, poderíamos ter os atributos nome, data de nascimento, sexo, entre outros. Para cada entidade devemos definir pelo menos um atributo, pois não há sentido criar uma entidade que não possuem características a serem armazenadas.

Por fim, precisamos saber como representar estes elementos no DER. As entidades são representadas por retângulos, com o nome da mesma no interior. Os relacionamentos são traços que ligam as entidades. Vale lembrar que podemos ter mais de um relacionamento entre as mesmas entidades, desde que sejam ações diferentes ocorrendo entre tais entidades. Já os atributos são representados por traços que saem das entidades e na ponta escreve-se o nome dos mesmos. Aqui temos um pequeno problema. Não há um padrão definido para os símbolos do DER, então existem várias formas de fazer estas representações. Os atributos, por exemplo, em certo tipo de notação ficam dentro de elipses, entre outras formas, mas normalmente não é difícil diferenciar cada forma.

Um detalhe importante é que existem ferramentas, as chamadas ferramentas CASE, para diagramar os projetos de bancos de dados. Um certo problema é que a maioria não possui suporte ao modelo conceitual, geralmente apresentando suporte apenas ao modelo físico. No caso do Microsoft Visio, ferramenta que utilizo, este só possui suporte ao modelo físico a partir das edições posteriores a 2003, já que o Visio 2003 for Enterprise Architects havia suporte a modelos conceituais.

Bem, como sei que não tenho como detalhar tudo sobre o MER aqui, recomendo a leitura dos capítulos que tratam de tal assunto no livro do Prof. Heuser, o qual acredito ser o mais conhecido desta área aqui no Brasil. Para quem quiser dar uma olhada, cito ele nos meus livros favoritos aqui no space, mas podem dar uma conferida em: http://www.inf.ufrgs.br/~heuser/livroProjBD/.

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